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sábado, 18 de agosto de 2012

Caro Carlos Barbosa

Apesar de sermos amigos há bastantes anos (ainda não se sonhava com o Facebook ) há muito que não falamos. Portanto o que te digo a seguir poderá surpreender-te já que não foste ouvido nem achado. O assalto de que foste vítima não é um "fait divers" e deverá ter-te marcado profundamente . Sei do que falo pois tambem fui vítima de "assaltos" embora de outro género. Ao contrario do que a maioria supõe estas situações vão muito para além de Euros e Cªs de Seguros. O que está em causa somos nós mesmos, a forma como nos damos a ver e como nos vemos a nós mesmos. Para os outros a perspectiva varia infinitamente de acordo com o grau de sensatez e de inveja... Neste teu caso era inevitável que a estupidez se manifestasse. A condenação a priori dos "de cima"(ainda que sejam vítimas) é uma constante em Portugal. E tu não podias ficar imune a essa histeria. Mesmo tu que  estiveste mais próximo de "a Luta" do que do "Jornal Novo". Mas isso importa pouco. O que importa  realmente é a outra face da questão - a que tem a ver contigo mesmo. Sei  que é muito difícil deixar de pensar onde errámos para permitir que algo assim acontecesse comnosco. Pessoas como nós somos demasiado exigentes  para prescindirmos dessa avaliação. É aí que as coisas doem e tiram o sono. Porquê comigo ? Como é que não antevi? Será que fui apenas vítima ou fui displicente ou mesmo negligente ? Uma coisa é verdade, Carlos. Nestes casos há sempre uma lição de vida a retirar. E perceber qual seja essa lição ajuda imenso a recuperar o  nosso equilíbrio e paz interior. A tua "Luta" não acabou . Abraço!

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